Sobre o Projeto
Pensado e realizado no ano de 2016, grafado originalmente El@s, foi um projeto aprovado no Edital nº 03/2016, pelo Programa Produção e Publicação em Artes de Fortaleza – Instituto Bela Vista/Secultfor. A curiosidade e o interesse em saber como era a “vida” de pessoas LGBTQIAPN+ privadas de liberdade suscitaram o nascimento de El@s.
Naquele ano, coordenei um projeto social chamado Rádio Livre. Seu estúdio funcionava dentro da Secretaria de Justiça e Cidadania do Estado do Ceará (da qual eu era funcionária) e a finalidade da Rádio era ser o principal instrumento de comunicação entre internos/as do sistema penitenciário cearense e seus familiares, através de caixas de som instaladas em algumas unidades prisionais no Ceará. A Rádio Livre dava voz a pessoas privadas de liberdade e possuía uma programação sociocultural e educativa.
Para pautar a programação da Rádio, enquanto coordenadora e jornalista, ia frequentemente aos presídios do Ceará, e foi dessa forma que conheci em 2016 a população LGBTQIAPN+ na Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, em Itaitinga-CE, inaugurada no mesmo ano. Uma cadeia destinada ao público considerado vulnerável, como idosos, gays, bissexuais, transexuais, cadeirantes e homens recolhidos pela Lei Maria da Penha.
Com uma câmera na mão e despida de preconceitos, tentei captar detalhes nas celas de uma cadeia pública e fotografar pessoas de modo digno e humano.
A exposição aconteceu no mesmo ano de realização das fotos, 2016, dentro da Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, regada à música instrumental e coquetel de abertura, com a presença de todas as pessoas fotografadas no Projeto. Em 2017, a exposição tornou-se itinerante, e circulou por alguns lugares na cidade de Fortaleza-CE.
Quase uma década passada, após aprovação no Edital LGBTQIAPN+ PNAB – SECULTFOR, nº 10149/2024, o Projeto Elas+ ressurge como um desdobramento afetivo, exibido em um site, construído para abrigar suas memórias através de fotografias, vídeos e textos, ainda na intenção de dar visibilidade às pessoas LGBTQIAPN+ privadas de liberdade.
Desde 2024, busquei informações sobre as pessoas LGBTQIAPN+ fotografadas em 2016 na Unidade Prisional Irmã Imelda Lima Pontes, não mais enquanto coordenadora e jornalista de um órgão público, mas como pesquisadora e fotógrafa. O que levou um tempo e também algumas dificuldades.
Muitas dessas pessoas são usuárias de drogas, moram na rua; outras, após ganharem a liberdade, retornaram a unidades prisionais. Numa quase desistência e desânimo, reencontro Paulinha: estudante de Direito e sobrevivente ao sistema penitenciário brasileiro. Um afago na alma! Foi o que senti.
Paulinha está conosco no Elas+, ela é uma voz que resiste, é um corpo que luta constantemente, uma pessoa livre, no sentido mais literal que possa existir.